09/03/10 Brasil aumentará imposto de 220 produtos norte-americanos

08/03/2010 - Globo Rural 

O Brasil vai aumentar os impostos de importação de 220 produtos norte-americanos.

A medida de retaliação foi autorizada pela Organização Mundial do Comércio, depois que o Brasil venceu os Estados Unidos numa batalha contra o pagamento de subsídios aos produtores de algodão. A lista foi publicada na segunda-feira no Diário Oficial. A lista publicada no Diário Oficial inclui 102 produtos exportados pelos Estados Unidos e que passam a pagar uma taxa maior para entrar no Brasil. O volume total da retaliação aos americanos deve somar US$ 591 milhões. Entre os produtos agropecuários destaque para o algodão e o trigo. No caso do algodão, o imposto passa de 8% para 100%; no do trigo, sobe de 10% para 30%. Na lista ainda há frutas secas e frescas, peixes e leite em pó entre outros produtos agrícolas. O governo brasileiro decidiu publicar a lista aumentando a taxa de importação como forma de pressionar os americanos a rever a política de subsídios agrícolas concedidos hoje aos produtores de algodão. A retaliação foi autorizada pela OMC, Organização Mundial do Comércio, que considera abusiva a ajuda dada aos produtores americanos. As novas taxas de importação entram em vigor daqui a 30 dias. “O governo brasileiro está aberto a uma negociação. O que nós gostaríamos era de evitar o processo de retaliação. Mas não havendo oferta da parte americana, o Brasil vai fazer valer os seus direitos. Ganhou na OMC, depois de mais de oito anos de disputa. Eu acho que é uma medida que respeita, inclusive, o órgão de solução de controvérsia da OMC e suas decisões”, falou Litha Spíndola, secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior. Segundo Haroldo Cunha, presidente da Abrapa, Associação Brasileira de Produtores de Algodão, a publicação da lista não muda em nada, por enquanto, a realidade dos produtores no Brasil, mas pode abrir uma brecha para que num futuro próximo os americanos reduzam os subsídios e, com isso, melhore a situação dos brasileiros no comércio internacional. “O governo já deixou claro que está aberto às negociações e que a retaliação deve ser imposta se não houver nenhuma proposta convincente, concreta e que faça sentido diante do tamanho do programa de subsídios condenados. Aí sim a retaliação deve ser implementada. Para nós, funciona como pressão e estaríamos dispostos a discutir juntamente com o governo qualquer programa de compensações desde que isso esteja casado com o compromisso americano de alteração da lei agrícola, que deve acontecer em 2012”, falou Cunha.

As patentes e serviços que também poderão ser incluídos na lista serão divulgados daqui a 15 dias. 

Link: http://globoruraltv.globo.com/GRural/0,27062,LTO0-4370-339961,00.html


 
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