20/01/14 Novo campo para a tecnologia

20/01/2014 - Brasil Econômico
Jornalista: Rodrigo Carro

Tecnologias como a computação em nuvem, o big data e a geolocalização ultrapassaram os limites das metrópoles brasileiras e agora se disseminam pelo campo. Modelos matemáticos capazes de prever a disseminação de doenças na lavoura e mapas inteligentes que permitem automatizar a produção agrícola são apenas alguns exemplos de como a tecnologia da informação está auxiliando à agroindústria a ampliar sua produtividade. Com software e hardware inteiramente desenvolvidos no país, a Olearys Tecnologia oferece serviços de monitoramento da lavoura por meio de estações meteorológicas, que ajudam na prevenção da ferrugem asiática, fungo que ataca as plantações de soja.  “No Brasil, temos potencial para produzir entre 55 a 65 sacas de soja por hectare. A ferrugem asiática causa uma perda de três a cinco sacas”, explica Luiz Fernando Félix, agrônomo da Olearys.  Para prevenir a doença, as estações de monitoramento ambiental instaladas pela empresa acompanham por meio de sensores variáveis como temperatura, umidade e até o orvalho que se condensa nas folhas.  Isso porque, para que a ferrugem asiática se desenvolva, é necessária uma temperatura na faixa de 22?C e, também, que a planta permaneça molhada por pelo menos 12 horas. Os dados são enviados para uma servidor na nuvem, usando tecnologia GSM (celular), satélite ou UHF.  O processamento das informações é feito com base num algoritmo matemático que simula a disseminação da doença. O alerta pode chegar por mensagem de texto no celular do fazendeiro. “Conseguimos prever com uma antecipação de até 15 dias a chegada da doença.  Assim, o agricultor pode determinar o melhor momento para aplicar o defensivo agrícola”, diz Tiarê Balbi, gerente de Operações da Olearys.  A cobertura das estações de monitoramento varia de 2 a 30 quilômetros, dependendo do relevo local. A brasileira Imagem, que comercializa softwares de geoprocessamento, tem em seu portfólio serviços voltados especificamente para a chamada agricultura de precisão.  A partir de mapas inteligentes, nos quais os dados de solo, clima e produtividade estão associados a coordenadas de latitude e longitude, o produtor rural pode automatizar processos de plantio, aplicação de insumos e defensivos, e colheita. “Os dados operacionais utilizados na agricultura de precisão são big data”, argumenta Alexandre Marques de Aguiar, gerente da divisão de Agricultura da Imagem. “Entre as tecnologias que vão impulsionar a agricultura nos próximos anos estão a conexão wireless, amobilidade e a computação em nuvem.”  O uso de tecnologia GPS (localização por satélite) permite, por exemplo, que uma colheitadeira munida de piloto-automático opere praticamente sem intervenção humana, a partir de um mapa inteligente carregado em sua memória.  Se a máquina agrícola tiver um sistema de telemetria integrado, o agricultor pode acompanhar a evolução do trabalho por meio de um smartphone ou outro dispositivo móvel. Segundo Aguiar, a precisão das operações pode variar entre dois e dez centímetros. Atualmente os maiores clientes da Imagem sãos produtores de cana de açúcar, seguidos pelos plantadores de soja e de algodão.


 
  Imprimir   Enviar   Voltar   Topo   Fonte: P  M  G